
Queridos amigos,
O Flamengo atravessa o momento mais difícil de sua história. A Gávea parece ter virado um barril de pólvora. É nítida a mudança de comportamento dos torcedores, levada é claro, por uma perda substancial de identidade. Agora, o que de fato nos levou a chegar a esse ponto?
Bom, sabemos que o clube não vence um brasileiro há 17 anos e, em decorrência disso ficamos desnorteados, sem rumo… Estamos perdidos no tempo e cada vez mais distantes da realidade. Contudo, não há nada que nos faça perder a pose. É só perguntar a um flamenguista se ele ainda acredita. Feito isso teremos a real dimensão do que significa torcer para o Mais Querido. Se alguém tem alguma idéia do que eu estou falando, é só se dirigir aos estádios. Um dia vemos aplausos aos medíocres, noutros aos derrotistas. A torcida do Flamengo já não é a mesma, vive se contentando com pouco. Basta apenas que qualquer coisa respire e vista a manto sagrado. Porra, será que esses malfadados 17 anos nos fizeram perder o senso crítico? O fato é que a torcida anda completamente alheia a tudo…
Por mais que acompanhe o time, por mais que frequente o Maracanã , é como se não fosse capaz de perceber o que está acontecendo à sua volta. O que eu quero dizer é que estamos nos tornando um bando de autistas. O time pode perder por 4×0 no domingo que na segunda-feira tudo parece estar como antes . Viramos uma espécie de torcedores mecânicos, sem alma, teleguiados pelo marasmo. Confesso que não sei dizer com precisão o motivo desse comportamento, mas arrisco algumas teorias:
Pode ser que a ausência de grandes conquistas. (Por favor, esqueçam a Copa do Brasil!!!) Eu acho que esse vácuo de títulos tenha nos levado a bloquear tudo que está relacionado ao nosso time ou a simplesmente se recusar a refletir com mais atenção sobre o assunto. Outro bom motivo para a cegueira coletiva seria um possível trauma, uma questão mal resolvida deflagrada talvez pela despedida e debandada do ETERNO ÍDOLO para os Cudomundoquistões do mundo. Sim. O nosso Deus. Deus????
Ué, não seria dever de Deus estar junto a seus filhos? Que Deus é esse que tem o poder da transformação, mas não usa? Que deixa o seu reino ser destruído pelo Diabo? Talvez isso justificaria. Talvez sim, talvez não… Mas se Deus não está aqui pelo menos, nos restou acreditar em outras santidades… Nunes, Andrade, Júnior, Leandro e companhia conseguiriam tal milagre? Difícil, pois quase todos já passaram por lá e nada…
Bom, e seja lá qual foi a influência desse passado no nosso modo de pensar, seus efeitos acentuaram nossos egos, mas de alguma forma mos ceifaram completamente diante ao presente. Mas são apenas hipóteses. Delírios à parte é difícil justificar esse novo perfil, ainda mais quando se trata de um flamenguista. A lógica e, por decorrência, a sensatez passam longe da Gávea. É por isso que fica praticamente impossível discutir futebol na atualidade. Por mais discernidos e lúcidos que sejamos, os nossos argumentos andam pouco convincentes – e, não raro, essa intransigência extrapola o mundo futebolístico. Quando numa discussão, nos limitamos a falar sobre os idos (títulos e jogadores), repelimos qualquer aproximação da coerência contemporânea. Por outro lado vemos que demograficamente somos um caso a parte, continuamos com um crescimento avassalador . Mesmo mal, a multiplicação não pára. Tanto faz se não temos estádios, plantéis, dirigentes,vitórias, títulos… O círculo vai girando , o bastão é naturalmente passado de pai para filho. Longe de mim colocar a culpa de nossas agruras contemporâneas na torcida – isso seria ainda pior que culpar esses técnicos submissos, totalmente comprometidos com o sistema –, mas eu tenho a impressão de que essa alienação, se não atrapalha, também não ajuda em porra nenhuma, pois continuamos pensando como monarcas, como fodões. É fato! Somos definitivamente soberbos; estamos distantes do simplismo. Somos diferenciados … Lotamos estádios , empurramos o time até o fim, ou seja, “fazemos a nossa parte”. Mas paradoxalmente a isso nos vemos completamente amordaçados a uma síndrome comportamental. Vivemos a fase do marasmo, das frases confortantes:
- Perdemos hoje, mas venceremos amanhã
- Ele nunca ganhou título, mas é um cara trabalhador
- Um dia ele volta a fazer gols
-Ele é bom sim, é um pentacampeão
- Ele não tem mais condições físicas, mas é o nosso capitão
- Engraçado, naquele time ele jogava pra cacete
Amigos, isso é Flamengo???? Acho que não. Se isso não é Flamengo, é o que?
Seria um produto da biomacumbagenética?
Na verdade isso que vemos hoje está longe se ser o nosso time, é outra coisa… Talvez seja uma mutação maligna vinda do além… Uma espécie arcoirisiana paulistanídea futebolinius, mas com certeza não é o Flamengo.
Ufa!!! Pô, que alívio… E não é que eu estava pensando que essa coisa vestindo o Manto Sagrado fosse o meu time?!?! Tá explicado…
Por isso o meu desânimo, a minha angústia, a minha morbidez, a minha “paumolescência”. Sim , é isso! Positivamente, o que está aí não é o Flamengo. É isso…
Graças a Deus. Deus? Deus, não! Ele está longe pra cacete! Está lá no Cudomundoquistão. Prefiro agradecer a São Judas Tadeu!
Sorria, você é rubro-negro!