Recuperando a verdade histórica : Taça das Bolinhas tem dono desde 1992



Observação : Aproveitando que nossa estréia é justamente contra o Sport, e que mesmo sem serem convidados, sempre aparecem os que querem macular uma legítima conquista em campo, republico um texto meu de abril de 2010,quando este assunto interminável tinha voltado a tona. Aos colunistas fica o aviso de que podem a qualquer momento postarem outras colunas, mais atuais e por certo mais interessantes.  

Amigos Rubronegros, outro dia eu li um comentário em que a pessoa dizia que nunca tinha visto o Zico jogar ao vivo. Fiquei pensando na quantidade imensa de flamenguistas que não viram aquele time que brilhou entre 78 e 87, e que mesmo assim são tão rubronegros como qualquer um de nós, mais velhos, que tiveram este privilégio. Afinal a última estatística dá uma vantagem enorme ao Flamengo entre os torcedores mais jovens. Mesmo com 17 anos de intervalo entre o quinto e o sexto campeonato brasileiro, a magnética não parou de crescer, a despeito de iniciativas ridículas como a de um time de SP que promoveu “batismos” para quem quisesse se tornar um torcedor convertido.

Como nessa semana sem jogos do Mengão surgiu a notícia de que a CBF encomendou um estudo jurídico para saber quem é o legítimo dono da “Taça das Bolinhas”, que deveria ser entregue ao primeiro pentacampeão brasileiro, mesmo correndo o risco de alguns companheiros acharem o assunto batido (e que deveria já ter se esgotado ), volto ao tema na esperança de explicar para os mais jovens o que de fato aconteceu naquele ano de 1987. Recorro ao um texto que escrevi durante o curso de jornalismo na PUC, no ano em que os são paulinos foram pentacampeões e fizeram até camisa dizendo serem os únicos “pentas”. A minha indignação foi tão grande que fiz o texto e criei uma discussão infernal em sala, em nome da verdade histórica, dos princípios éticos e da moralidade no futebol.

Pois bem, jovens urubus. O que aconteceu, resumidamente, é que naquele ano a CBF estava simplesmente falida e não tinha dinheiro para organizar o campeonato brasileiro. Os maiores clubes do Brasil, reunidos em uma associação chamada de Clube do 13, presidida pelo Sr Aidar (presidente do São Paulo) resolveu montar o seu campeonato, a Copa União, convidando mais 3 clubes. A competição começou com grande sucesso, pois os jogos eram sempre entre times de porte, com todo mundo jogando contra todo mundo, enquanto o campeonato de 1986, por exemplo, tinha 40  times participantes divididos em grupos, se parecendo em muito com o tempo do regime militar, que pregava a utilização do futebol como trunfo politico : “onde a Arena vai mal, um time no campeonato nacional”. Vale dizer que a CBF falida, a princípio concordou com este campeonato.

Com o sucesso da competição iniciada, os dois cartolas que mandavam na CBF, o carioca Otávio Pinto Guimarães e o paulista Nabi Abi Chedid, decidiram criar um segundo campeonato entre os times de menor expressão. Chamaram então esta “série B”de módulo amarelo, e à Copa União de módulo verde. E queriam que os vencedores dos dois módulos fizessem um cruzamento para definir o campeão brasileiro. O Clube dos 13, presidido pelo Sr Aidar, não concordou com isso, até porque as regras já estavam estabelecidas e CINCO rodadas já tinha sido disputadas. Portanto, não foi o Flamengo que se negou a disputar. Os 16 participantes, apoiados na decisão do Clube dos 13, assim o decidiram. O resto todo mundo já sabe. O Flamengo bateu o Internacional (empate de 1 a 1 no Sul e vitória de 1 a 0 no Macarcanã), e foi campeão da “série A”.  O Sport, fez uma final contra o Guarani, que teve uma disputa de pênalti com 11 cobranças de cada lado e terminou com os dois times se auto declarando “campeões”(em comum acordo, diga-se de passagem). Em janeiro de 88 os times voltaram a  campo e depois de um empate sem gols em Campinas, o Sport venceu em Recife por um a zero e assim ganhou “a série B” do Brasil naquele ano. A CBF declarou que o campeão brasileiro era o Sport e a guerra começou.

Posteriormente, em 21 de janeiro de 1988, o então Conselho Nacional de Desportos (órgão máximo a quem deveriam se subordinar todas as confederacões, incluindo a CBF), presidido por Manoel Tubino, reconheceu o título rubro negro, mas a Justiça comum deu ganho de causa ao time pernambucano na década de 90.

Procurei narrar de forma resumida e sem paixão. Os fatos são esses, para que os mais jovens os conheçam. Não falei (até agora) sobre o mau caratismo de dirigentes que estavam na Copa União e que agora não reconhecem o mérito do Flamengo. Não falei sobre esta cambada de jornalistas de segunda categoria que colocam isso em discussão, na busca pela fama e pela venda de jornais ou de seus banners na internet. Não há o que discutir. O cruzamento foi criado depois de iniciado o campeonato e não foi aceito por TODOS os times que o disputavam. Seria ótimo que a CBF reconhecesse o seu erro da época e desse ao Flamengo o direito de não se falar mais nisso, a não ser para lembrar que o Zico estava conosco naquele tempo. Mas o Flamengo é maior que tudo isso, e pouco me importa o que eles decidirem. O Mengão foi o primeiro pentacampeão brasileiro e ponto.

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