Um Causo – Minha Primeira Vez Como Flamenguista

28/12/2009

Um “Causo”- Minha 1ª vez……como Flamenguista

Era 1963, quando aconteceu o meu primeiro caso de amor com a Nação Rubro-Negra. 

Consultei agora a Internet para me lembrar do dia. Foi no dia 27 de julho, num domingo de Sol.

Eu morava em Macaé, e ouvia os jogos do Flamengo pelo rádio, pois já haviam impedido as transmissões diretas pela TV, para evitar perda de arrecadação. Meu pai, militar, era Oficial do Exército, e trabalhava no Forte Copacabana. Ele foi o responsável pela minha cultura flamenguista. Foi ele quem me deu a primeira camisa, em 1949, quando eu tinha apenas dois meses de idade. Depois ganhei outra, em 1953, a qual eu vestia todo orgulhoso e já faz parte da minha lembrança. Posso então dizer que sou flamenguista fanático, desde 1953, quando ganhei meu primeiro título. 

Dias atrás eu me encontrei com Evaristo de Macedo, ídolo do meu pai, e lhe falei do jogo contra o Vasco, um 3×3. Mas ele disso não ter jogado aquela partida. Foram dois 3×3 contra o Vasco. Um deles eu me lembro, pois meu vizinho era vascaíno e meu pai vivia conversando futebol com ele. No primeiro, o Flamengo estava ganhando de 3×1 e o Vasco empatou. No segundo, o Vasco ganhava e o Flamengo empatou. Lembro-me apenas disso. Posso então dizer que sou flamenguista dos tempos de Joel, Rubens, Índio, Benitez e Esquerdinha.

Mas foi somente dez anos depois que aconteceu o contato no Maracanã, a minha primeira vez. 

Meu pai estava no Rio e ligou para minha mãe. Pediu que ela me colocasse no ônibus para que eu fosse encontrá-lo em Niterói, de onde começaria a minha caminhada ao Maraca dos Sonhos. Foi o maior presente que ganhei na vida. Meu real primeiro caso de amor com a Charanga de Jaime de Carvalho. Ficamos bem ao lado da Charanga e eu, entusiasmado com aquele sonzinho, que, para a época, era o máximo. Não havia os gritos de guerra de hoje.

(1a.parte)

Um Causo- Minha 1ª vez como Flamenguista

Pois bem, eu queria ter visto Garrincha, naquele dia, mas ele estava machucado e em seu lugar jogou um tal de Jairzinho, que eu não conhecia. Moleque arisco, rápido, que passou o jogo inteiro atormentando a vida do Jordan. O Paulo Henrique, que era de Quissamã, distrito de Macaé, jogou na preliminar e foi outra coisa gratificante que aconteceu naquele dia.

Eu jogava muito bem e meu pai vivia recebendo “cantadas” para que ele “assinasse” a fim de que eu pudesse jogar por algum time de lá. Meu pai sempre disse que se dependesse da assinatura dele, eu nunca reclamaria de ter perdido meus estudos por causa do futebol. Graças a DEUS ele agiu assim. Várias vezes, naquele dia, eu me vi vestindo aquela camisa apaixonante e a Torcida gritando o meu nome.

O jogo estava “pau a pau”, mas o Flamengo tinha um ótimo jogador, raçudo, lá na frente, estilo rompedor, sem ser trombador, chamado Airton, que fez o primeiro gol. Aquilo, para mim, foi como se fosse um gol meu. Eu e meu pai vibramos tanto e por tanto tempo que recebemos, como era comum naquela época, uma caixa de Eskibon, toda suja, na cabeça. (meu pai recebeu, mas caiu em cima de mim). Nem ligamos, o Mengão vencia e parecia que ia ser de mais.

O Botafogo tinha um goleador nato, chamado Quarentinha, que acabou empatando o jogo. O mundo desabou sobre mim. Logo naquele dia em que eu tinha a “minha primeira vez”? Diga-se de passagem, que o Botafogo era o bicampeão Carioca. Um timaço, com Nilton Santos, Gerson, Quarentinha, Zagalo e desfalcado do Garrincha.

(2ª parte)

Um “Causo” – Minha 1ª vez como Flamenguista

A torcida do Flamengo recomeçou a gritar. E a Charanga do Jaime tocava incessantemente quando Paulo Choco, o número 10 do Flamengo, o substituto de um Dida também machucado, fez o segundo gol do Flamengo. 2×1 Mengão, Minha Paixão.

Meu pai pediu que o mesmo cara que havia jogado a caixa de sorvetes jogasse outra, pois ele não pararia de pular….Foi uma chuva interminável de copinhos de papel, sorvetes, laranjas, etc….Naquele tempo havia laranjas cortadas, “in natura”, vendidas livremente nos estádios. 

Intervalo de jogo e nós, lá, vibrando. Eu nem estava me tocando com aquela sujeirada toda. Queria era ver o meu Mengão, Mais Querido do Brasil, o dono na Maior Torcida do Mundo, jogar e derrotar o time de Garrincha, ver o time fazer gol no Manga, o goleiro que dizia que gastava o dinheiro do “bicho” no sábado antes do jogo contra o Flamengo, pois a vitória era certa. Eu queria a forra e aquela era a oportunidade.

Recomeçou o jogo e era lá e cá, jogo complicado, até que num lance, lá pelo final, Airton arriscou um chute da intermediária e a bola que iria para as mãos do goleiro Manga, o “insuportável adversário Manga”, foi desviada pelo chamado morrinho artilheiro, cobrindo o goleiro falastrão e indo parar nos fundo das redes.

Que loucura!

(3ª parte)

Um “Causo” – Minha 1ª vez como Flamenguista

Eu desapareci da vista do meu pai. Saí feito um doido, batendo no peito e gritando “Manga Rosa bichada”(o Manga tinha o rosto cheio de marcas como se fossem furos), “quero ver você pagar ao quitandeiro agora”, “frangueiro!”….e meu pai ficando distante, até que me toquei que eu não tinha a menor noção de como fazer para sair dali e pegar a condução de volta para Niterói, nem dinheiro nenhum no bolso.

Aí, lembrei-me de Jaime de Carvalho e pensei: “Meu pai está do lado dele”.

E fui, então, de volta para reencontrá-lo. Acontece que meu pai tinha saído para procurar-me, coisa quase que impossível num Maracanã com 80 mil pessoas. Fiquei ali do lado do Jaime, pois sabia que meu pai voltaria ao local onde combinamos de nos encontrar, em caso de corre-corre: “Ao lado do último instrumentista da Charanga do Flamengo” foi a orientação, antes mesmo de entrarmos no Maracanã..

Antes do término do jogo, meu pai já estava ao meu lado, feliz da vida, e nem sequer teve preocupação em me dar aquele costumeiro “esculacho”, pelo meu sumiço, que na praia, então, acontecia em todos os finais de semana. Meu pai e eu estávamos entregues às emoções da “minha primeira vez” e ele, satisfeito com o meu desempenho de garoto normal, maluco como todos, vibrante como os mais espertos e flamenguista carimbado como somente aqueles que têm sensibilidade e sabem o que querem.

E começou o oléééééé……… Oléé….Oléé……que delícia!(Não era olé, era outra coisa com o mesmo significado). Flamengo 3×1 Airton, Quarentinha, Paulo Choco e Airton, novamente (gol do morrinho artilheiro). Eu acredito que esta expressão tenha sido criada naquele dia, pois nunca tinha ouvido antes. Acabou-se a farra do Manga. 

(4ª parte)

Um “Causo” – Minha 1ª vez como Flamenguista

Em dezembro daquele ano o Flamengo ganhou seu título de campeão carioca, oito anos depois do segundo tricampeonato. Ao final do jogo, fomos à saída dos vestiários para ver os heróis de perto e, em seguida, regressamos a Niterói, onde peguei o ônibus de volta a Macaé. Chegando lá, depois de contar tudo para a minha mãe, vi que começava na TV Rio, o “vídeo-tape” do jogão da minha história. E eu olhava , via e dizia: “Mãe, eu estava lá.” 

Neste ano 2009, em que espero ser o do hexa brasileiro, levo o meu enteado ao Maraca quando o time de Jaime de Carvalho joga e me faz lembrar de Mauro, Murilo, Luis Carlos, Ananias e Jordan; Carlinhos e Nelsinho; Espanhol, Airton, Paulo “Choco” e Osvaldo “Ponte Aérea”. O técnico era Flávio Costa

Agora estou emocionado. Ainda bem que foi no fim da crônica.

(FIM)

Esta historinha foi publicada e está(va) contada no Site Oficial do Flamengo.(No antigo site)

CESAR PORTO

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